Série de TV

Sou do tempo da TV preto e branco. Era um suplício para ligá-la: apertavamos o botão e tínhamos que esperar incríveis dois a três minutos para o tubo esquentar e então a imagem aparecer. Para quem assistir séries da época, tínhamos que sintonizar o canal desejado pelo menos cinco minutos antes para não perder o que aconteceria no capítulo do dia.

Quando eu era adolescente, a série mais quente era “The X-files” com Dana Scully e Fox Mulder (que todo mundo pronunciava fax modem).

Foto por Ricardo Esquivel em Pexels.com

Recentemente, comecei a ver uma série da Netflix chamada “Anne com e”. Confesso que me apaixonei por essa série (indicação de uma professora num curso que eu fiz esse ano). Visto que a série foi interrompida na terceira temporada, fui pesquisar por ela na internet e descobri que já havia um livro chamado “Anne de Green Gables” bem como um filme da década de 80 com o mesmo nome. Até comecei a assistir o filme antigo mas não tinha a mesma graça e leveza da série do streaming. Além de a série ser muito bem cuidada e dirigida, é estranho ver outro ator fazendo o papel que nos acostumamos a ver atuando.

Semana passada eu comecei a assistir Utopia. Só para novamente descobrir que essa série já voi realizada originalmente em 2017 pelos mesmos idealizadores Gillian Flinn e Dennis Kelly no Reino Unido. Naquela época, a série acabou na segunda temporada. Agora pela Amazon Prime terminou na primeira temporada!

Sou um jacaré.

Quando eu era mais novo, havia uma gíria ou algo parecido que dizia mais ou menos assim: “Tem jacaré no lago“. Como aqui no Brasil só conhecemos esse tipo de animal indo a um zoológico, nunca pude aquilatar a real extensão dessa expressão. Mas creio que tinha a ver com o sentido de ser perigoso entrar no lago para nadar (dedução lógica). Também já tinha ouvido falar da expressão “lágrimas de crocodilo“, essa obviamente não se referindo a alguém que chora por estar penalizado com alguma coisa mas por ser mal mesmo.

Interessante que em inglês, há a expressão: “I see you later aligator“. Algo como: Te vejo mais tarde. Onde o outro responde: “I see you later crocodile“. Pois bem, toda essa introdução para tentar entender o que o nosso presidente quis dizer sobre a nova vacina de Pfizer . Quem já estudou alguma coisa sobre Oswaldo Cruz, sabe da luta que ele travou para vacinar a população do Rio de Janeiro no século passado. Porém, hoje em dia, em meio a tanta fake news, estamos passando pela situação inversa. Aqueles que deveriam nos orientar e nos mostrar um caminho mais seguro é que são os primeiros a nos desnortear.

Quando iniciei esse blog, a ideia era ajudar meus alunos das aulas de redação, que eu ministrava na época, a escreverem melhor. É muito prazeroso ler um texto bem formatado. No entanto, hoje com a prisão do prefeito carioca Marcelo Crivella, fui a procura de maiores informações e me deparei com um texto que abordava o assunto da seguinte maneira:

“O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), foi preso na manhã desta terça-feira (22) no Rio de Janeiro em uma operação da Polícia Civil e do Gaocrim/MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro). Crivella foi detido em casa, no bairro Península, na Barra da Tijuca, e levado para a Cidade da Polícia, no Jacaré.

Ao todo, nessa operação, estão sendo cumpridos 7 mandados de prisão. Seis pessoas já foram presas e três chegaram à Cidade da Polícia, no Jacaré. Os alvos são: Marcelo Crivella, Eduardo Lopes, Rafael Alves, Fernando Morais, Mauro Macedo, Cristiano Stokler e Adenor Gonçalves.

As prisões fazem parte da Operação Hades, que apura supostos pagamentos de propina dentro da Prefeitura do Rio de Janeiro, considerada pela investigação um “QG da Propina”. Em nota, o MP-RJ disse que não poderá passar informações porque a investigação corre em segredo de justiça (leia ao final da reportagem).

Crivella, que está a 9 dias do fim do mandato, nega todas as acusações, disse que foi o prefeito que mais combateu a corrupção, cobrou justiça e afirmou ser vítima de uma perseguição política. Ele começou a depor por volta de 7h30.

Os presos seriam todos levados para a delegacia fazendária, na Cidade da Polícia, no Jacaré. Porém, Fernando Morais apresenta sintomas de covid-19 e foi conduzido para outra delegacia, a Polinter”.

Esse texto estava na internet na parte da manhã (talvez alguém o tenha escrito rapidamente para cobrir o acontecimento ao vivo), porém agora ao final da tarde, no momento em que escrevo esse post, o texto foi substituído.

Quando eu era criança pequena lá em Barbacea, seria impensável escrever um texto jornalístico com tanta repetição do famigerado réptil. Será que foi por isso que o texto não se encontra mais lá? (Para manter o benaplácito da dúvida, não citarei a fonte de onde o texto foi tirado).

Sai dessa lama jacaré!

Feliz ano velho.

Eu sei que esse título te fez lembrar do livro do Marcelo Rubens Paiva, que por sinal ainda não li! Da mesma forma que um amigo meu (Benito Pepe) tem um blog https://www.benitopepe.com.br/2015/09/07/voce-esta-onde-voce-esta/ e me perguntou se tenho o hábito de visitá-lo por lá. Fui sincero em confessar que não. Porém, já fiz duas visitas e acabei por ler dois posts dele, o que acabou gerando a postagem de hoje!

Mais um ano se passou ou está passando… Que lição você tirou disso?

Estamos agora, segundo dizem, na segunda onda do vírus Covid-19. Os hospitais estão no pico de atendimento. Literalmente me pergunto: “Quem poderá nos salvar”? Só Deus! Aliás, no último domingo eu fui ao culto da Comunidade Evangélica de Cordovil e tomei nota do que foi dito lá.

Interessante a Palavra pregada falava sobre se manter saudável. A palestra foi aberta com a famosa ilustração da “família margarina” (aquela que vemos nos comerciais de TV: perfeita)! Mas logo fomos exortados a olhar para dentro de nós. E isso é tão difícil, não é mesmo. Pois etamos todo o tempo no justificando e na maioria das vezes, os problemas que temos nem são causados por nós mesmos, mas sim por outra pessoa: um terceiro!

Foi esclarecedor saber que três pontos identificam todo ser humano: nós pensamos, sentimos e agimos. Novamente uma outra pergunta dirigida as mães! Quantas vêzes você já ficou acordada até tarde de noite, enquanto seu filho não chegava da balada? Agora pense o seguinte: o que isso adiantou? Se for penar bem, nada! Mas será que você seria capaz de reprogramar sua mente para agir diferente agora? Até porque seus filhos já cresceram e já estão até casados?

Eu sei que é chover no molhado, pois sempre toco nesse assunto: eu sou professor de inglês e já perdi a conta de quanto alunos vem com aquele papo: “Eu já entrei em vários cursos de inglês e não consigo aprender inglês”! Eu não enteno muito de programação neurolinguística (Dr. Lair Ribeiro que o diga) mas não é preciso ser um expert para entender que toda vez que você repete esssa frase fica mais difícil sair do atoleiro em que se meteu… Precisamos ser “ensináveis” e não ficar colocando a culpa naquel curso de inglês, naquele professor, etc. Isso se você quiser crescer ou evoluir!

Abre a porta Mariquinha!

Sempre gostei da música “Grito de alerta” do compositor Gonzaguinha. Todos as pessoas casadas sabem quão difícil é manter um relacionamento sadio. Já ouvi dizer que um bom casamento é a união de dois bons perdoadores. Parece até um chavão! Tenho um amigo que se chama Clodoaldo. Recentemente ele me confidenciou que estava tendo problemas com a esposa. Visto que também sou casado, resolvi dar um pitaco na vida conjugal dele.

-Fala Clodoaldo!

-Rapaz, nem te conto. Tô passando um problemão com a Isaura.

-É mesmo? Do que se trata? Desembucha.

-Bom,você sabe que ela trabalha fora né?

-Sim, sei disso sim.

-Pois então, ela tem que acordar muito cedo, tipo as 5 horas da madrugada.

-Isso é normal para quem trabalha muito longe rapaz.

-Sim eu sei. O problema é que eu não preciso acordar assim tão cedo.

-Continua dormindo. Qual é o problema?

-A porta de nosso quarto só tem um trinco por dentro.

-Continuo sem entender nada!

-Você sabe que temos um bichinho de estimação? O Freddy?

-Ah sei. Aquele gato cor de caramelo, né?

-Isso mesmo. Daí quando ela acorda o gato entra e fica pisando nos móveis, derrubando coisas no chão e eu não consigo mais dormir. Até que resolvo botar o gato para fora do quarto e trancar o trinco por dentro.

-Até aí eu entendi. O seu problema então é com o gato. Não é com sua esposa!

-Pois então. Acabei pegando o hábito de assim que ela levanta para ir trabalhar, levantar também só para fechar o trinco da porta por dentro para o gato não entrar.

-Boa ideia!

-Pois é! Também achei! Só que ela reclama comigo que mesmo já separando a roupa que irá trabalhar de antemão, às vezes ela esquece uma coisa ou outra e para não me incomodar. Não entra de novo no quarto para não me acordar.

-Muito gentil da parte dela.

-Sim mas só esse mês ela já foi umas três vezes com a mesma calcinha dois dias seguidos.

-Hã?

-Você sabe que as mulheres têm mania de limpeza né? Impossível uma mulher usar a mesma calcinha dois dias seguidos.

-Sim. Eu também não uso a mesma cueca dois dias seguidos. É questão de higiene!

-Exatamente! Que bom que você tá me entendendo.

-Para que servem os amigos?

-Pois é! Ela me falou isso no meio de uma DR!

-DR?

-Sim: Discutindo o relacionamento (DR).

-Entendi! Mas você já pensou em colocar uma fechadura nessa porta?

-Fechadura?

-Claro! Dessa forma você não só não precisaria mais se levantar junto com sua mulher para fechar o trinco e ela poderia fechar a porta com a chave por fora para o gato não entrar e te incomodar. E mesmo que ela esqueça alguma coisa, ainda pode entrar sem ter que te incomodar.

-Rapaz. Você é um gênio! Excelente ideia!

-Ah, se todos os problemas fosse assim tão fáceis de resolver.

Passou-se uma semana e encontrei com o Clodoaldo. Só que achei o semblante dele fechado.

-Oi Clodoaldo. Tudo bem?

-Mais ou menos.

-Como assim? Você colocou a fechadura na porta?

-Sem dúvida! Coloquei ante-ontem!

-E deu certo?

-Rapaz deu tão certo que depois de colocar a fechadura fui tomar uma breja com um amigo no bar da esquina.

-Ah que bom!

-Bom nada! Cheguei as duas da manhã e a Isaura discutiu comigo pois não era hora de homem casado chegar em casa e coisa tal. Resultado: Ela se trancou no quarto e tive que dormir no sofá!

-Ué? Mas você não tem uma chave? Por quê não usou?

-Você sabe como é mulher! Ela fechou com o trinco por dentro!

-É Clodoaldo, ela tá contigo e não abre…

Ding e Dong

Robervaldo foi pego pela crise. Depois de trabalhar por mais de dez anos no aeroporto internacional do Rio de Janeiro (Galeão) como entrevistador de passageiros de uma conceituada empresa aérea americana ele foi demitido. O que faria ele? Num primeiro momento ele usou os benefícios concedidos pelo governo: o seguro desemprego e o auxílio emergencial. Mas depois de cinco meses e muita procura por sites de emprego, Robervaldo finalmente recebeu um convite para uma entrevista de emprego. O anúncio requisitava uma espécie de funcionário administrativo numa empresa de importação e exportação e que falasse inglês fluente. Roberbaldo estava no perfil perfeito da vaga visto que no aeroporto também havia trabalhado no setor de cargas da empresa aérea no velho Galeão na ilha do Governador.

Foto por Ahmed Muntasir em Pexels.com

No dia da entrevista, Robervaldo vestiu uma calça e camisa social, bem como um sapato de couro marrom bem engraxado. O endereço era no centro da cidade. Mais precisamente na Avenida rio Branco. Qual não foi a surpresa dele ao se deparar com um prédio velho caindo aos pedaços que contrastava com uma linda loja de produtos importados de frente para a avenida. Robervaldo conferiu o endereço e viu que estava no prédio certo. Informou ao recepcionista do prédio aonde ia e subiu pelo elevador até ao nono andar. Só havia duas portas naquele andar. A direita havia o consultório de um dentista e a esquerda havia um escritório de importação de produtos chineses.

Foto por Pixabay em Pexels.com

Robervaldo foi recebido por uma recepcionista:

– Bom dia. Em que posso ajudá-lo?

-Bom dia. Eu sou Robervaldo Gomes. Vim para a entrevista de emprego.

-Ah sim. O senhor poderia preencher essa ficha por favor?

-Claro.

-Sente-se e preencha a ficha. Vou avisar ao senhor Dong que o senhor já chegou!

-Perfeitamente.

Depois de uns cinco minutos preenchendo a ficha, Robervaldo foi chamado para conversar com o senhor Dong, o gerente da firma de importação e exportação.

-Bom dia senhor Robervaldo. Eu sou o senhor Dong (fazendo uma reverência).

-Bom dia senhor Dong. Prazer em conhece-lo (estendendo a mão que ficou pairando no ar).

-Sente-se por favor. (Senhor Dong sentou-se atrás da mesa). E foi direto ao assunto.

– “Quer dizer que eu o senhor trabalhou no aeroporto internacional do Rio de Janeiro por dez anos? O que o senhor fazia lá?”

-Eu era agente de aeroporto. Iniciei numa empresa terceirizada, prestando serviço para uma empresa aérea americana e com o tempo fiz um processo seletivo e fui admitido na empresa onde permaneci por dez anos. Eu fiz de tudo: Trabalhei no setor de bagagem perdida, trabalhei no setor de cargas (importação e exportação) e também trabalhei no check-in da empresa aérea recepcionando passageiros.

-Sim. Vejo que o senhor tem bastante experiência e se encontra dentro do perfil do candidato que estamos procurando. O Senhor fala inglês fluente?

-Com certeza. Quando fui trabalhar no aeroporto eu já falava inglês e lá aprimorei ainda mais pois como a empresa era americana, era mandatório falar inglês fluente.

-Magnifico. Sabe sr. Robervaldo eu e meu irmão Ding viemos para o Brasil quando éramos crianças junto com nossos pais. Tive muita sorte de aprender a falar português mas nunca aprendi inglês. Já meu irmão, não fala muito bem o português mas fala inglês fluentemente. A propósito, será meu irmão Ding que irá entrevistá-lo! O senhor Dong pegou o telefone e chamou seu irmão Ding que estava em outra sala. Prontamente o senhor Ding apareceu e assumiu a posição de entrevistador.

-Bom dia. Sou Ding e vou entlevistá-lo agola.

-Bom dia senhor Ding. Pois não. (Escondendo um sorrisinho).

-Ale iu blazilian?

-If I am Brazilian? “Yes, I am”. (Robervaldo teve que se controlar para não dar uma gargalhada).

-Veli gud. Rau oldi ale iu?

-How Am I? “I am 45 years old, sir.”

-Uai du iu tink iu ar di rait pelson fo dis jobi?

-Why do I think I am de right person for this job? “Because I am committed with my principles of honesty, I am a hard working person and I feet the needs this vacancy requires”. (Contendo o riso mais uma vez).

-inafi. Tankiou.

O senhor Ding pede que ele aguarde e se retira da sala.

Alguns momentos depois retorna o senhor Dong e agradece por ter comparecido mas infelizmente ele não havia se qualificado para a vaga.

Robervaldo ficou atônito com a resposta pois achou que tinha ido muito bem na entrevista. De qualquer forma ele agradeceu pela oportunidade e se retirou cabisbaixo. Ao se despedir da recepcionista ele resolveu desabafar.

-Estou pasmo.

-Como disse?

-Fiz a entrevista com o senor Dong e foi tudo bem. Depois fui entrevistado pelo senhor Ding e o resultado foi que não fui aprovado.

-É assim mesmo. O senhor Ding é quem dá a palavra final pois ele é o único que fala inglês aqui.

-Mas eu respondi tudo o que o senhor Ding me perguntou. Não entendi porque não fui aprovado.

-O senhor Ding é uma pessoa muito séria e reservada. Com o senhor Ding você só fala uma vez. Ele não gosta de ser parafraseado, nem que o achem engraçado. Você precisa responder direto o que ele pergunta seriamente. Caso contrário ele irá pensar que o senhor o está menosprezando.

-Ah é?

-Melhor sorte da próxima vez.

Moral da história: nunca subestime um entrevistador de inglês chinês!

Senhor Dong
Senhor Ding.

Derrubando uma parede…

Eu já vivo no atual endereço onde resido por mais de sete anos e nunca fiz uma reforma. Depois de passar quase quatro meses com minha mulher (fazendo home office) e ela me confessar que já não me aguentava mais, resolvi fazer alguma coisa para salvar nosso relacionamento. O problema é que ela se instalou na sala e eu, quando precisava usar o meu computador, me postava bem ao lado . O trabalho dela, além de elaborar planilhas e responder e-mails, envolve também ligar para os colaboradores da empresa que trabalham na rua. Daí já viu né? Quando a ligação está baixa e a pessoa do outro lado não te escuta direito, você automaticamente aumenta sua voz! E isso foi motivo para várias discussões aqui dentro de casa. Ela diz que eu sou muito ranzinza e por aí vai! Por fim, resolvi que devíamos fazer o que todos os vizinhos já haviam feito: Diminuir o espaço da imensa cozinha e dividi-la ao meio. De forma que a outra metade se transforma-se num espaço para o homem de casa. É claro que para “dividir” a cozinha ao meio, seria preciso derrubar uma parede.

Devo confessar que nunca antes em minha vida, havia feito obras em casa morando nela. Minhas desventuras já começaram no momento de achar um pedreiro disponível. Cheguei a marcar com um pedreiro que por duas vezes não apareceu. Imaginei que estivesse muito ocupado. Assim, depois de receber uma segunda indicação que compareceu na data marcada para fazer o orçamento, resolvi não perder a oportunidade. Depois de avaliar o que precisava ser feito ele me deu o orçamento. Porém, ao reconferir seus cálculos, disse que tinha errado e acrescentou mais R$ 400,00. Aceitei pois realmente precisava dessa reforma. No mesmo dia, fomos a uma loja de material de construção aqui perto de casa mas verificamos que a loja não fazia entrega do vasto material que iríamos precisar para a dita obra. Resolvemos então ir a outra loja de material mais distante que ao menos fazia a entrega dos referidos materiais. Só aí foram mais de R$ 650,00 em material de construção.

No dia combinado, apareceu o pedreiro com seu ajudante, um garotão que não devia ter mais de 24 anos de idade.

Pedreiro.

Que nenhum dos dois usava máscara eu nem questionei. Mas as solicitações dele foram as seguintes:

-“O senhor precisa comprar um balde de pedreiro”. Eu realmente comprei um deses. Só para ele depois me dizer que um só não bastava. Mas se contentou com dois baldes.

-“O senhor precisa comprar um madeirite para eu poder fazer a massa do cimento”.(Esqueci de dizer que meu apartamento fica no quarto andar de um prédio e conforme vocês já devem imaginar, o espaço é bem limitado. Chegando ao ponto de o pedreiro precisar virar a massa no espaço dentro do compartimento da lixeira do prédio).

-“O senhor precisa comprar um tábua de madeira para que eu possa usar como um mini-andaime”. Todos os pedidos dele eu atendi sem pestanejar pois não entendo nada de obra.

Só comecei a estranhar um pouco quando no segundo dia de obra ele precisava de uma peneira e disse ter esquecido de trazer. Sorte que consegui uma emprestada no meu próprio prédio.

Também no segundo dia, o pedreiro me contou que tinha problemas com o celular e me perguntou se poderia ajudá-lo. Fui prontamente atendê-lo. Ele tinha um App do 99 táxis instalado mas não saia da tela inicial (segundo ele mesmo falou)! Resolvi desinstalar o aplicativo e instalar novamente. Deu o mesmo problema!

Ele reclamou então que o Whats App não funcionava. Novamente lá fui eu ajudá-lo. Em determinado momento da instalação vinha a seguinte mensagem “Por favor informe a senha”. Daí ele me deu uma senha (vamos supor que fosse: matutodobairro16). A resposta foi: “Senha incorreta”. Informei isso a ele. Então ele disse: “Tenta ‘matutodobairro14’ então!”. Inseri a nova senha e a resposta foi: “Senha incorreta”. Só isso, já seria o bastante para pararmos por aqui mesmo. Mas ele me fez repetir todo o processo pelo menos duas vezes com ambas as senhas. Ao contar esse episódio para a minha mulher eu até achei engraçado mas nas duas semanas que se passaram mais coisas “engraçadas” aconteceram.

Uma coisa que eu não achei nada engraçada foi descobrir lá pelo quinto dia, que o ajudante era ex-presidiário. Na verdade, ele ficou no xadrez por trinta e três dias por não ter pago pensão a ex-esposa. Mas quando descobri isso eu que me senti traído.

Outra coisa que eu não gostei foi ter comprado uma porta sanfonada de 70 cm de largura (tamanho padrão) e quando o pedreiro foi instalá-la no último dia da obra, descobrir que a largura da porta do banheiro era maior só dois centímetros. Resultado, a porta não fecha. Mas o brilhante pedreiro fez um “enxerto” para a porta poder fechar. O resultado foi que qualquer pessoa mais “fofinha” precisa entrar no banheiro de lado (ou de perfil). Afinal, do jeito normal, não se consegue entrar.

Bom, eu poderia escrever um livro inteiro com todas as peripécias que tive com esse pedreiro aqui em casa por quase duas semanas porém acho melhor parar por aqui e deixar as demais experiências para outra oportunidade.

A importância de se falar inglês no Brasil.

Se você chegou aqui achando que vai ler um texto louvando a língua inglesa e acrescentando que quem fala inglês ganha melhores salários e etc, é melhor você parar de ler por aqui mesmo.

Eu sou professor de inglês há pelo menos dez anos mas a primeira língua que aprendi foi o francês e, pasmem os senhores, numa escola pública! Isso foi quando eu estava no quinto ano! Porém no sétimo ano, meu pai me passou para uma escola particular onde o idioma ensinado era o inglês! Assim, para não ficar em desvantagem com os demais alunos, meu querido paizinho me matriculou num curso de inglês chamado “Canyon”. O carro chefe desse curso era uma mesa de ping-pong bem no hall do curso de inglês. Confesso que tive uma grande facilidade e aprendi inglês na base da decoreba (com gravador e slide) no famoso método:

  • Repeat!
  • Repeat!
  • Repeat!

Depois que terminei esse curso fui para outro. Até que meu terceiro curso de inglês foi um bem famoso (pioneiro em desenho animado)! Ali vi grandes filmes pois estava na época do vídeo cassete Beta Max! Pude ver “A lagoa azul, “2001, uma odisseia no espaço”, “The black stallion” e por aí vai. Nesse curso eu fui até a formação de professores e comecei a lecionar por lá mesmo.

Ou seja, me formei professor de inglês muito cedo e não dei valor a isso! Caí na velha conversa de que professor trabalha muito e ganha mal. De modo que resolvi seguir outros caminhos. Porém na maioria dos lugres onde eu chegava sempre que o assunto era inglês eu arrasava. Cheguei até mesmo a trabalhar no aeroporto internacional do Rio de Janeiro entrevistando passageiros com destino aos EUA!

Alguém deve estar se perguntando porque iniciei esse post dizendo que esse texto não iria louvar o aprendizado do inglês? Explico-lhes: Hoje em dia, continuo levando a vida como professor de inglês mas dois episódios me mostraram como falar inglês pode ajudar um simples mortal a ser atendido mais rapidamente numa central de telemarketing.

O primeiro episódio foi a cerca de dois anos atrás, quando resolvi adquirir uma passagem de avião por uma cia. aérea que estava em meio a um processo falimentar (não citarei o nome por razões óbvias)! Logo após eu ter comprado o ticket aéreo pelo site da famigerada empresa, a mesma começou a cancelar todos os seus vôos e fui forçado a entrar em contato com a mesma para saber o que seria da minha viagem. Entretanto, todos os clientes que tinham comprado passagem também queria tirar satisfação sobre seus bilhetes e vocês podem imaginar que uma ligação para tal empresa levava em média duas ou três horas na fila de espera da central de atendimento. Mas o professor de inglês aqui teve a brilhante ideia de pedir atendimento em inglês e assim a espera se reduziu para meros quinze minutos e rapidamente consegui falar em outro idioma e resolver meu problema com agilidade.

O segundo episódio foi hoje mesmo! Novamente eu comprei um ticket para viajar no mês de julho (férias) num voo nacional. Só que devido a pandemia, já não sabia mais se estaria disponível para viajar na data marcada. Quando liguei há duas semanas atrás, novamente fazendo uso do atendimento em inglês, o atendente me deu as opções cabíveis (em todas elas eu teria que pagar multa caso quisesse alterar a data do voo em questão). Fiquei de ligar mais para frente a fim de resolver isso. Qual não foi a minha surpresa cinco dias após a minha ligação a vir a receber uma mensagem em meu celular que meu voo programado para o mês de julho havia sido cancelado e que eu deveria entrar me contato com eles para tratar desse assunto? Novamente usei da estratégia de solicitar atendimento em inglês e fui atendido em menos de 5 minutos conseguindo inclusive alterar a data do meu voo sem custo!

Eu poderia concluir esse post com o famoso chavão: “Quem espera sempre alcança”. Todavia prefiro pensar que quem fala dois idiomas tem uma melhor compreensão do mundo a sua volta e consegue se expressar melhor. E não estou falando só do inglês, visto que também aprendi um pouco de francês. Meu estímulo é que você, prezado leitor, também aguce a sua mente para fins tão meritórios quanto aprender idiomas e seja feliz!

Quando o ensino se comunica através de um desenho.

Já sou professor de inglês há pelo menos 10 anos! Porém, só resolvi fazer a faculdade de Letras em 2013. Dali em diante, como requisito para me formar eu precisava fazer um estágio. Eu estagiei em pelo menos dois colégios na zona norte do Rio de Janeiro. Entretanto os estágios se resumiam em assistir algumas aulas de professores que já lecionavam e fazer relatórios. Depois de um número X de relatórios, o aluno, no caso eu, deveria realizar uma aula sob a análise do professor ao qual eu havia observado. É um processo pelo qual todo aluno de Letras já passou. Todavia eu sabia que só existe um jeito de aprender algo: fazendo!

E assim, depois de ter feito os necessários estágios e obtido meu diploma, comecei a busca de uma escola para lecionar, o que diga-se de passagem, não é algo fácil pois você não passa de um ilustre desconhecido. Não sei se por sorte ou por azar, acabei indo a um colégio que há havia sido excelente no passado mas agora estava em franca decadência (para se dizer o mínimo). Depois de fazer a entrevista com a dona da escola e mostrar o meu currículo, ela até disse que eu estava apto mas não poderia pagar o valor de hora-aula do mercado (que já era baixíssimo). Resolvi apelar e me ofereci para trabalhar por metade da hora-aula do mercado. Dessa forma a dona do colégio acabou me aceitando e ali passei um ano letivo. Foi uma das experiências mais relevantes para minha carreira de professor pois fui literalmente jogado aos leões. Recém saído da faculdade, apenas com experiência em cursos de inglês, que é totalmente diferente de uma escola particular. Mas confesso que a experiência foi mais valiosa do que qualquer estágio pois as histórias ali vividas dariam para escrever um livro.

A minha experiência mais marcante, que é motivo desse post, foi em uma de minhas turmas onde havia um aluno especial. Ele não tinha como pagar para ter um professor auxiliar e a própria mãe cumpria esse papel. O quê de certa forma era de grande ajuda pois ninguém melhor para conhecer um aluno de que sua própria mãe.

Prepositions

Um dia precisei explicar sobre “Preposições em inglês” e sempre gostei de usar o recurso de desenhar no quadro. E esse foi o desenho que fiz para representar uma preposição.

Desenho do aluno especial.

Qual não foi a minha surpresa, depois de escrever minha aula no quadro e percorrer a sala para ver como estavam os alunos, que o aluno especial que não falava quase nada mas observava muito, havia feito o desenho dele em seu caderno bem fiel ao meu no quadro. Fiquei tão contente que quase deixei cair uma lágrima. A própria mãe dele se surpreendeu com o feito do filho!

Isso meus amigos, são as recompensas da Educação que não tem preço!