Abre a porta Mariquinha!

Sempre gostei da música “Grito de alerta” do compositor Gonzaguinha. Todos as pessoas casadas sabem quão difícil é manter um relacionamento sadio. Já ouvi dizer que um bom casamento é a união de dois bons perdoadores. Parece até um chavão! Tenho um amigo que se chama Clodoaldo. Recentemente ele me confidenciou que estava tendo problemas com a esposa. Visto que também sou casado, resolvi dar um pitaco na vida conjugal dele.

-Fala Clodoaldo!

-Rapaz, nem te conto. Tô passando um problemão com a Isaura.

-É mesmo? Do que se trata? Desembucha.

-Bom,você sabe que ela trabalha fora né?

-Sim, sei disso sim.

-Pois então, ela tem que acordar muito cedo, tipo as 5 horas da madrugada.

-Isso é normal para quem trabalha muito longe rapaz.

-Sim eu sei. O problema é que eu não preciso acordar assim tão cedo.

-Continua dormindo. Qual é o problema?

-A porta de nosso quarto só tem um trinco por dentro.

-Continuo sem entender nada!

-Você sabe que temos um bichinho de estimação? O Freddy?

-Ah sei. Aquele gato cor de caramelo, né?

-Isso mesmo. Daí quando ela acorda o gato entra e fica pisando nos móveis, derrubando coisas no chão e eu não consigo mais dormir. Até que resolvo botar o gato para fora do quarto e trancar o trinco por dentro.

-Até aí eu entendi. O seu problema então é com o gato. Não é com sua esposa!

-Pois então. Acabei pegando o hábito de assim que ela levanta para ir trabalhar, levantar também só para fechar o trinco da porta por dentro para o gato não entrar.

-Boa ideia!

-Pois é! Também achei! Só que ela reclama comigo que mesmo já separando a roupa que irá trabalhar de antemão, às vezes ela esquece uma coisa ou outra e para não me incomodar. Não entra de novo no quarto para não me acordar.

-Muito gentil da parte dela.

-Sim mas só esse mês ela já foi umas três vezes com a mesma calcinha dois dias seguidos.

-Hã?

-Você sabe que as mulheres têm mania de limpeza né? Impossível uma mulher usar a mesma calcinha dois dias seguidos.

-Sim. Eu também não uso a mesma cueca dois dias seguidos. É questão de higiene!

-Exatamente! Que bom que você tá me entendendo.

-Para que servem os amigos?

-Pois é! Ela me falou isso no meio de uma DR!

-DR?

-Sim: Discutindo o relacionamento (DR).

-Entendi! Mas você já pensou em colocar uma fechadura nessa porta?

-Fechadura?

-Claro! Dessa forma você não só não precisaria mais se levantar junto com sua mulher para fechar o trinco e ela poderia fechar a porta com a chave por fora para o gato não entrar e te incomodar. E mesmo que ela esqueça alguma coisa, ainda pode entrar sem ter que te incomodar.

-Rapaz. Você é um gênio! Excelente ideia!

-Ah, se todos os problemas fosse assim tão fáceis de resolver.

Passou-se uma semana e encontrei com o Clodoaldo. Só que achei o semblante dele fechado.

-Oi Clodoaldo. Tudo bem?

-Mais ou menos.

-Como assim? Você colocou a fechadura na porta?

-Sem dúvida! Coloquei ante-ontem!

-E deu certo?

-Rapaz deu tão certo que depois de colocar a fechadura fui tomar uma breja com um amigo no bar da esquina.

-Ah que bom!

-Bom nada! Cheguei as duas da manhã e a Isaura discutiu comigo pois não era hora de homem casado chegar em casa e coisa tal. Resultado: Ela se trancou no quarto e tive que dormir no sofá!

-Ué? Mas você não tem uma chave? Por quê não usou?

-Você sabe como é mulher! Ela fechou com o trinco por dentro!

-É Clodoaldo, ela tá contigo e não abre…

Ding e Dong

Robervaldo foi pego pela crise. Depois de trabalhar por mais de dez anos no aeroporto internacional do Rio de Janeiro (Galeão) como entrevistador de passageiros de uma conceituada empresa aérea americana ele foi demitido. O que faria ele? Num primeiro momento ele usou os benefícios concedidos pelo governo: o seguro desemprego e o auxílio emergencial. Mas depois de cinco meses e muita procura por sites de emprego, Robervaldo finalmente recebeu um convite para uma entrevista de emprego. O anúncio requisitava uma espécie de funcionário administrativo numa empresa de importação e exportação e que falasse inglês fluente. Roberbaldo estava no perfil perfeito da vaga visto que no aeroporto também havia trabalhado no setor de cargas da empresa aérea no velho Galeão na ilha do Governador.

Foto por Ahmed Muntasir em Pexels.com

No dia da entrevista, Robervaldo vestiu uma calça e camisa social, bem como um sapato de couro marrom bem engraxado. O endereço era no centro da cidade. Mais precisamente na Avenida rio Branco. Qual não foi a surpresa dele ao se deparar com um prédio velho caindo aos pedaços que contrastava com uma linda loja de produtos importados de frente para a avenida. Robervaldo conferiu o endereço e viu que estava no prédio certo. Informou ao recepcionista do prédio aonde ia e subiu pelo elevador até ao nono andar. Só havia duas portas naquele andar. A direita havia o consultório de um dentista e a esquerda havia um escritório de importação de produtos chineses.

Foto por Pixabay em Pexels.com

Robervaldo foi recebido por uma recepcionista:

– Bom dia. Em que posso ajudá-lo?

-Bom dia. Eu sou Robervaldo Gomes. Vim para a entrevista de emprego.

-Ah sim. O senhor poderia preencher essa ficha por favor?

-Claro.

-Sente-se e preencha a ficha. Vou avisar ao senhor Dong que o senhor já chegou!

-Perfeitamente.

Depois de uns cinco minutos preenchendo a ficha, Robervaldo foi chamado para conversar com o senhor Dong, o gerente da firma de importação e exportação.

-Bom dia senhor Robervaldo. Eu sou o senhor Dong (fazendo uma reverência).

-Bom dia senhor Dong. Prazer em conhece-lo (estendendo a mão que ficou pairando no ar).

-Sente-se por favor. (Senhor Dong sentou-se atrás da mesa). E foi direto ao assunto.

– “Quer dizer que eu o senhor trabalhou no aeroporto internacional do Rio de Janeiro por dez anos? O que o senhor fazia lá?”

-Eu era agente de aeroporto. Iniciei numa empresa terceirizada, prestando serviço para uma empresa aérea americana e com o tempo fiz um processo seletivo e fui admitido na empresa onde permaneci por dez anos. Eu fiz de tudo: Trabalhei no setor de bagagem perdida, trabalhei no setor de cargas (importação e exportação) e também trabalhei no check-in da empresa aérea recepcionando passageiros.

-Sim. Vejo que o senhor tem bastante experiência e se encontra dentro do perfil do candidato que estamos procurando. O Senhor fala inglês fluente?

-Com certeza. Quando fui trabalhar no aeroporto eu já falava inglês e lá aprimorei ainda mais pois como a empresa era americana, era mandatório falar inglês fluente.

-Magnifico. Sabe sr. Robervaldo eu e meu irmão Ding viemos para o Brasil quando éramos crianças junto com nossos pais. Tive muita sorte de aprender a falar português mas nunca aprendi inglês. Já meu irmão, não fala muito bem o português mas fala inglês fluentemente. A propósito, será meu irmão Ding que irá entrevistá-lo! O senhor Dong pegou o telefone e chamou seu irmão Ding que estava em outra sala. Prontamente o senhor Ding apareceu e assumiu a posição de entrevistador.

-Bom dia. Sou Ding e vou entlevistá-lo agola.

-Bom dia senhor Ding. Pois não. (Escondendo um sorrisinho).

-Ale iu blazilian?

-If I am Brazilian? “Yes, I am”. (Robervaldo teve que se controlar para não dar uma gargalhada).

-Veli gud. Rau oldi ale iu?

-How Am I? “I am 45 years old, sir.”

-Uai du iu tink iu ar di rait pelson fo dis jobi?

-Why do I think I am de right person for this job? “Because I am committed with my principles of honesty, I am a hard working person and I feet the needs this vacancy requires”. (Contendo o riso mais uma vez).

-inafi. Tankiou.

O senhor Ding pede que ele aguarde e se retira da sala.

Alguns momentos depois retorna o senhor Dong e agradece por ter comparecido mas infelizmente ele não havia se qualificado para a vaga.

Robervaldo ficou atônito com a resposta pois achou que tinha ido muito bem na entrevista. De qualquer forma ele agradeceu pela oportunidade e se retirou cabisbaixo. Ao se despedir da recepcionista ele resolveu desabafar.

-Estou pasmo.

-Como disse?

-Fiz a entrevista com o senor Dong e foi tudo bem. Depois fui entrevistado pelo senhor Ding e o resultado foi que não fui aprovado.

-É assim mesmo. O senhor Ding é quem dá a palavra final pois ele é o único que fala inglês aqui.

-Mas eu respondi tudo o que o senhor Ding me perguntou. Não entendi porque não fui aprovado.

-O senhor Ding é uma pessoa muito séria e reservada. Com o senhor Ding você só fala uma vez. Ele não gosta de ser parafraseado, nem que o achem engraçado. Você precisa responder direto o que ele pergunta seriamente. Caso contrário ele irá pensar que o senhor o está menosprezando.

-Ah é?

-Melhor sorte da próxima vez.

Moral da história: nunca subestime um entrevistador de inglês chinês!

Senhor Dong
Senhor Ding.

Derrubando uma parede…

Eu já vivo no atual endereço onde resido por mais de sete anos e nunca fiz uma reforma. Depois de passar quase quatro meses com minha mulher (fazendo home office) e ela me confessar que já não me aguentava mais, resolvi fazer alguma coisa para salvar nosso relacionamento. O problema é que ela se instalou na sala e eu, quando precisava usar o meu computador, me postava bem ao lado . O trabalho dela, além de elaborar planilhas e responder e-mails, envolve também ligar para os colaboradores da empresa que trabalham na rua. Daí já viu né? Quando a ligação está baixa e a pessoa do outro lado não te escuta direito, você automaticamente aumenta sua voz! E isso foi motivo para várias discussões aqui dentro de casa. Ela diz que eu sou muito ranzinza e por aí vai! Por fim, resolvi que devíamos fazer o que todos os vizinhos já haviam feito: Diminuir o espaço da imensa cozinha e dividi-la ao meio. De forma que a outra metade se transforma-se num espaço para o homem de casa. É claro que para “dividir” a cozinha ao meio, seria preciso derrubar uma parede.

Devo confessar que nunca antes em minha vida, havia feito obras em casa morando nela. Minhas desventuras já começaram no momento de achar um pedreiro disponível. Cheguei a marcar com um pedreiro que por duas vezes não apareceu. Imaginei que estivesse muito ocupado. Assim, depois de receber uma segunda indicação que compareceu na data marcada para fazer o orçamento, resolvi não perder a oportunidade. Depois de avaliar o que precisava ser feito ele me deu o orçamento. Porém, ao reconferir seus cálculos, disse que tinha errado e acrescentou mais R$ 400,00. Aceitei pois realmente precisava dessa reforma. No mesmo dia, fomos a uma loja de material de construção aqui perto de casa mas verificamos que a loja não fazia entrega do vasto material que iríamos precisar para a dita obra. Resolvemos então ir a outra loja de material mais distante que ao menos fazia a entrega dos referidos materiais. Só aí foram mais de R$ 650,00 em material de construção.

No dia combinado, apareceu o pedreiro com seu ajudante, um garotão que não devia ter mais de 24 anos de idade.

Pedreiro.

Que nenhum dos dois usava máscara eu nem questionei. Mas as solicitações dele foram as seguintes:

-“O senhor precisa comprar um balde de pedreiro”. Eu realmente comprei um deses. Só para ele depois me dizer que um só não bastava. Mas se contentou com dois baldes.

-“O senhor precisa comprar um madeirite para eu poder fazer a massa do cimento”.(Esqueci de dizer que meu apartamento fica no quarto andar de um prédio e conforme vocês já devem imaginar, o espaço é bem limitado. Chegando ao ponto de o pedreiro precisar virar a massa no espaço dentro do compartimento da lixeira do prédio).

-“O senhor precisa comprar um tábua de madeira para que eu possa usar como um mini-andaime”. Todos os pedidos dele eu atendi sem pestanejar pois não entendo nada de obra.

Só comecei a estranhar um pouco quando no segundo dia de obra ele precisava de uma peneira e disse ter esquecido de trazer. Sorte que consegui uma emprestada no meu próprio prédio.

Também no segundo dia, o pedreiro me contou que tinha problemas com o celular e me perguntou se poderia ajudá-lo. Fui prontamente atendê-lo. Ele tinha um App do 99 táxis instalado mas não saia da tela inicial (segundo ele mesmo falou)! Resolvi desinstalar o aplicativo e instalar novamente. Deu o mesmo problema!

Ele reclamou então que o Whats App não funcionava. Novamente lá fui eu ajudá-lo. Em determinado momento da instalação vinha a seguinte mensagem “Por favor informe a senha”. Daí ele me deu uma senha (vamos supor que fosse: matutodobairro16). A resposta foi: “Senha incorreta”. Informei isso a ele. Então ele disse: “Tenta ‘matutodobairro14’ então!”. Inseri a nova senha e a resposta foi: “Senha incorreta”. Só isso, já seria o bastante para pararmos por aqui mesmo. Mas ele me fez repetir todo o processo pelo menos duas vezes com ambas as senhas. Ao contar esse episódio para a minha mulher eu até achei engraçado mas nas duas semanas que se passaram mais coisas “engraçadas” aconteceram.

Uma coisa que eu não achei nada engraçada foi descobrir lá pelo quinto dia, que o ajudante era ex-presidiário. Na verdade, ele ficou no xadrez por trinta e três dias por não ter pago pensão a ex-esposa. Mas quando descobri isso eu que me senti traído.

Outra coisa que eu não gostei foi ter comprado uma porta sanfonada de 70 cm de largura (tamanho padrão) e quando o pedreiro foi instalá-la no último dia da obra, descobrir que a largura da porta do banheiro era maior só dois centímetros. Resultado, a porta não fecha. Mas o brilhante pedreiro fez um “enxerto” para a porta poder fechar. O resultado foi que qualquer pessoa mais “fofinha” precisa entrar no banheiro de lado (ou de perfil). Afinal, do jeito normal, não se consegue entrar.

Bom, eu poderia escrever um livro inteiro com todas as peripécias que tive com esse pedreiro aqui em casa por quase duas semanas porém acho melhor parar por aqui e deixar as demais experiências para outra oportunidade.

A importância de se falar inglês no Brasil.

Se você chegou aqui achando que vai ler um texto louvando a língua inglesa e acrescentando que quem fala inglês ganha melhores salários e etc, é melhor você parar de ler por aqui mesmo.

Eu sou professor de inglês há pelo menos dez anos mas a primeira língua que aprendi foi o francês e, pasmem os senhores, numa escola pública! Isso foi quando eu estava no quinto ano! Porém no sétimo ano, meu pai me passou para uma escola particular onde o idioma ensinado era o inglês! Assim, para não ficar em desvantagem com os demais alunos, meu querido paizinho me matriculou num curso de inglês chamado “Canyon”. O carro chefe desse curso era uma mesa de ping-pong bem no hall do curso de inglês. Confesso que tive uma grande facilidade e aprendi inglês na base da decoreba (com gravador e slide) no famoso método:

  • Repeat!
  • Repeat!
  • Repeat!

Depois que terminei esse curso fui para outro. Até que meu terceiro curso de inglês foi um bem famoso (pioneiro em desenho animado)! Ali vi grandes filmes pois estava na época do vídeo cassete Beta Max! Pude ver “A lagoa azul, “2001, uma odisseia no espaço”, “The black stallion” e por aí vai. Nesse curso eu fui até a formação de professores e comecei a lecionar por lá mesmo.

Ou seja, me formei professor de inglês muito cedo e não dei valor a isso! Caí na velha conversa de que professor trabalha muito e ganha mal. De modo que resolvi seguir outros caminhos. Porém na maioria dos lugres onde eu chegava sempre que o assunto era inglês eu arrasava. Cheguei até mesmo a trabalhar no aeroporto internacional do Rio de Janeiro entrevistando passageiros com destino aos EUA!

Alguém deve estar se perguntando porque iniciei esse post dizendo que esse texto não iria louvar o aprendizado do inglês? Explico-lhes: Hoje em dia, continuo levando a vida como professor de inglês mas dois episódios me mostraram como falar inglês pode ajudar um simples mortal a ser atendido mais rapidamente numa central de telemarketing.

O primeiro episódio foi a cerca de dois anos atrás, quando resolvi adquirir uma passagem de avião por uma cia. aérea que estava em meio a um processo falimentar (não citarei o nome por razões óbvias)! Logo após eu ter comprado o ticket aéreo pelo site da famigerada empresa, a mesma começou a cancelar todos os seus vôos e fui forçado a entrar em contato com a mesma para saber o que seria da minha viagem. Entretanto, todos os clientes que tinham comprado passagem também queria tirar satisfação sobre seus bilhetes e vocês podem imaginar que uma ligação para tal empresa levava em média duas ou três horas na fila de espera da central de atendimento. Mas o professor de inglês aqui teve a brilhante ideia de pedir atendimento em inglês e assim a espera se reduziu para meros quinze minutos e rapidamente consegui falar em outro idioma e resolver meu problema com agilidade.

O segundo episódio foi hoje mesmo! Novamente eu comprei um ticket para viajar no mês de julho (férias) num voo nacional. Só que devido a pandemia, já não sabia mais se estaria disponível para viajar na data marcada. Quando liguei há duas semanas atrás, novamente fazendo uso do atendimento em inglês, o atendente me deu as opções cabíveis (em todas elas eu teria que pagar multa caso quisesse alterar a data do voo em questão). Fiquei de ligar mais para frente a fim de resolver isso. Qual não foi a minha surpresa cinco dias após a minha ligação a vir a receber uma mensagem em meu celular que meu voo programado para o mês de julho havia sido cancelado e que eu deveria entrar me contato com eles para tratar desse assunto? Novamente usei da estratégia de solicitar atendimento em inglês e fui atendido em menos de 5 minutos conseguindo inclusive alterar a data do meu voo sem custo!

Eu poderia concluir esse post com o famoso chavão: “Quem espera sempre alcança”. Todavia prefiro pensar que quem fala dois idiomas tem uma melhor compreensão do mundo a sua volta e consegue se expressar melhor. E não estou falando só do inglês, visto que também aprendi um pouco de francês. Meu estímulo é que você, prezado leitor, também aguce a sua mente para fins tão meritórios quanto aprender idiomas e seja feliz!

Quando o ensino se comunica através de um desenho.

Já sou professor de inglês há pelo menos 10 anos! Porém, só resolvi fazer a faculdade de Letras em 2013. Dali em diante, como requisito para me formar eu precisava fazer um estágio. Eu estagiei em pelo menos dois colégios na zona norte do Rio de Janeiro. Entretanto os estágios se resumiam em assistir algumas aulas de professores que já lecionavam e fazer relatórios. Depois de um número X de relatórios, o aluno, no caso eu, deveria realizar uma aula sob a análise do professor ao qual eu havia observado. É um processo pelo qual todo aluno de Letras já passou. Todavia eu sabia que só existe um jeito de aprender algo: fazendo!

E assim, depois de ter feito os necessários estágios e obtido meu diploma, comecei a busca de uma escola para lecionar, o que diga-se de passagem, não é algo fácil pois você não passa de um ilustre desconhecido. Não sei se por sorte ou por azar, acabei indo a um colégio que há havia sido excelente no passado mas agora estava em franca decadência (para se dizer o mínimo). Depois de fazer a entrevista com a dona da escola e mostrar o meu currículo, ela até disse que eu estava apto mas não poderia pagar o valor de hora-aula do mercado (que já era baixíssimo). Resolvi apelar e me ofereci para trabalhar por metade da hora-aula do mercado. Dessa forma a dona do colégio acabou me aceitando e ali passei um ano letivo. Foi uma das experiências mais relevantes para minha carreira de professor pois fui literalmente jogado aos leões. Recém saído da faculdade, apenas com experiência em cursos de inglês, que é totalmente diferente de uma escola particular. Mas confesso que a experiência foi mais valiosa do que qualquer estágio pois as histórias ali vividas dariam para escrever um livro.

A minha experiência mais marcante, que é motivo desse post, foi em uma de minhas turmas onde havia um aluno especial. Ele não tinha como pagar para ter um professor auxiliar e a própria mãe cumpria esse papel. O quê de certa forma era de grande ajuda pois ninguém melhor para conhecer um aluno de que sua própria mãe.

Prepositions

Um dia precisei explicar sobre “Preposições em inglês” e sempre gostei de usar o recurso de desenhar no quadro. E esse foi o desenho que fiz para representar uma preposição.

Desenho do aluno especial.

Qual não foi a minha surpresa, depois de escrever minha aula no quadro e percorrer a sala para ver como estavam os alunos, que o aluno especial que não falava quase nada mas observava muito, havia feito o desenho dele em seu caderno bem fiel ao meu no quadro. Fiquei tão contente que quase deixei cair uma lágrima. A própria mãe dele se surpreendeu com o feito do filho!

Isso meus amigos, são as recompensas da Educação que não tem preço!

Voltando ao passado.

Eu não me considero tão velho assim mas se tem coisas que eu gostava de fazer antigamente era, aos domingos, comprar o jornal na banca da esquina. Embora hoje não seja domingo, eu fui dar uma caminhada e passei em frente a uma banca de jornais (cada vez mais escassa) enorme. Visto que eu tinha que ir ao banco, deixei para comprar o jornal na volta.

Quando retornei, havia alguns jornais expostos. Se o jornal do Brasil ainda existisse na forma impressa eu o adquiriria. Mas ele, como a maioria deles só está na presente na internet. Confesso que não me adapto a esse formato para os jornais. Acredito nessa coisa de pagar pelo jornal, olhar as manchetes e colocá-lo debaixo do braço para levá-lo até em casa. Lá, depois de fazer seus afazeres você reserva um bom lugar na poltrona da sala e vai degustando as notícias pelo seu interesse! Alguns vão direto para a seção de esportes. Outros para os Quadrinhos. Metodicamente sempre começo pela capa e vou desfolhando o jornal na ordem das páginas numeradas.

Acredito que esse hábito de ler jornais possa ser reforçado através da pandemia atual visto que temos mais tempo pois no correria do dia-a-dia alguns hábitos ficaram pelo caminho. Uma pena…

Dicas de redação.

Em primeiro lugar devemos fixar uma meta ao escrever uma redação. Se você não é um expert no assunto com certeza irá levar no mínimo uns noventa minutos para escrever sua primeira redação. Mas a prática leva a perfeição. Da segunda vez você já conseguirá fazê-la em menos tempo, talvez sessenta minutos. Continue a se aprimorar. Da terceira vez você já fará sua redação em 45 minutos.

Tipos de texto.

A descrição.

A narração.

Contar uma história que tenha um enredo, tempo, espaço, personagens. etc.

A dissertação.

Defender um ponto de vista. (Não use: “eu acho”).

DISSERTAÇÃO

ArgumentativaExpositiva
AfirmaçõesConceitos
Defesa de uma teseExemplos
Ex1: Poluição. Foram geradas por ação
humana…
Detalhes
Ex2: Nesse sentidoDados
Ex3:”…Foi em grande parte fruto da urbanizaçãoTópicos
desenfreada ou atuação da indústria.”Ex: 50% das pessoas que tinham câncer
naquela cidade morreram esse mês. (Se nessa cidade só houvessem duas pessoas com câncer seriam muitas ou poucas?).

Tríade da excelência.

a) Ideias / Argumentos

Tema: “Segurança pública”.

  • maior investimento
  • treinamento pessoal
  • aparelhamento público
  • fiscalização eficiente
  • mais treinamento de inteligência
  • união das polícias

b) Organização

  • Ler muito
  • Interessar-se pelo que lê
  • Fazer pequeno resumo do que foi lido
  • Leitura: de 30 minutos a uma hora por dia
  • Responder: O quê? Como? Por que? Quem? Onde?

Para a sua comodidade.

Hoje eu precisei substituir um professor num curso de inglês técnico no centro da cidade. Visto que o curso se iniciava as 8 horas da manhã e eu precisava acordar cedo para cumprir o horário acordei as 5:30 horas da madrugada, tomei meu banho e resolvi tomar um golinho de café preto puro antes de sair. Tomei o ônibus as 6:30 horas da manhã e cheguei na centro da cidade por volta das 7:30 hs. Visto que seriam 04 horas de aula com um intervalo no meio, resolvi tomar outro café para aguentar o tranco.

O professor ao qual fui substituir havia sido mandado embora do referido curso e a mim coube dar o conceito final dos alunos. Porém, o mais interessante foi que os alunos me receberam bem e pude fazer uma aula de “fechamento” da matéria e interagir bastante com o grupo. Qual não foi a minha surpresa ao verificar que um dos alunos que morava mais longe (Niterói, segundo eu fiquei sabendo, trouxe uma garrafa térmica de café e distribuiu para todos os alunos, inclusive para mim)!

Já sou professor há pelo menos nove anos e já fizemos muitas comemorações de encerramento onde cada aluno trás algo para comermos mas em uma substituição onde eu não conhecia ninguém foi a primeira vez. Creio que isso se trate de afeição, sei lá.

Nesse mesma aula eu recordei com os alunos um caso que aconteceu comigo ano passado numa loja de roupas. Eu havia me interessado por duas camisas dos Beatles (que sou fã) e resolvi adquiri-las. Uma meninota da loja me ofereceu um cartão e eu candidamente aceitei, respondendo as perguntas que ela fazia como se fosse uma metralhadora.

Resumo da ópera, dois meses se passaram e o boleto nunca chegou. Minha esposa achou estranho e me alertou para esse pormenor. Resolvi ir até a loja pessoalmente. Lá chegando a atendente me informou que eu havia comprado duas camisas e não havia pago. Retruquei que o boleto não foi enviado. Ela olhou no sistema e disse que foi enviado para o meu e-mail. Redargui que não havia solicitado isso. Segundo ela, a loja (para minha comidade) enviou o boleto para o meu e-mail. Nem adiantou dizer que eu não tinha impressora pois, segundo ela, basta o código de barras enviado por e-mail para se pagar o boleto. Pedi a ela que doravante enviasse o boleto pelos correios e ela acatou. Visto que o vencimento seria em 28 de agosto e ainda era dia 25 resolvi deixar para pagar na data limite e vim para casa. Quando cheguei em casa já havia uma carta do SPC dizendo que eu estava inadimplente e que se não pagasse a conta meu nome seria incluído na lista negra. Coagido dessa forma, pedi a minha esposa que pagasse o boleto imediatamente. Porém a novela mexicana não havia se encerrado. No outro mês o boleto veio pelo correio com um valor a pagar de R$ 12,00. Liguei para o serviço ao cliente e perguntei do que se tratava aquilo. Fui informado que era um seguro desemprego que eu havia contratado para a minha comodidade, ou seja, se eu ficasse desempregado esse seguro me garantiria uma graninha. Desavisadamente perguntei quem havia autorizado tal mimo? A atendente me assegurou que eu mesmo no momento da aquisição do cartão (a meninota disse algo sobre um seguro que ela iria incluir e que era só eu cancelar 30 dias depois… (havia sido enrolado). Novamente pedi o cancelamento, antes da data do vencimento e fui informado que ainda devia pagar aquele valor para só assim poder finalmente cancelar o cartão da loja. Que dor de cabeça terrível!

Desse incidente me conscientizei que eu era um dinossauro (daqueles de museu). Não havia me apercebido que o mudo mudou. As lojas não enviam mais boletos, nem a Caixa Econômica envia mais o extrato do FGTS (talvez também para a minha comodidade: eu preciso usar o site da Caixa Econômica para verificar meu saldo).

Como diria Raul Seixas, eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela opinião formada sobre tudo. Porém pude perceber que outras instituições ainda gostam de papel como eu. Passei no Centro Cultural do Banco do Brasil e pude encontrar para o meu prazer pelo menos três folders: um com a programação do CCBB, outro com a programação de filmes do Scorsese e mais uma com a peça de teatro em cartaz: Solo.

Mas a pérola do dia foi um pequeno libreto usado que adquiri numa banca de jornal (The stories of Shakespeare’s Plays da Oxford University Press).

Bem prezado leitor, a lista seria enorme dos folders que eu arrebanhei nessa pequena passagem pelo centro hoje. Tenho que confessar que sou papel maníaco graças à Deus!